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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Boa leitura

Efeito borboleta e outras histórias, de José Mário Silva. Histórias muito bem urdidas, muito bem escritas e contadas. Do melhor que li ultimamente no género -- e leio muito, embora, seguramente, bem menos do que este autor. Parabéns.
Já quanto à poesia (Luz indecisa), também incluída, não faz o meu género. Questão de gosto, ou, talvez, de falta dele.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sapadores

Cinco militares mortos em acidente em centro internacional de desminagem. Quando andei na tropa, dizia-se dos sapadores que só erram duas vezes. A primeira e a última.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Soliso amalelo

Deve ser o dos chineses, a verem-nos afundar, afundar, sem saber nadar. É que, depois, quem lhes vai comprar os produtos fabricados nas "nossas" fábricas deslocalizadas? Quem os vai ressarcir dos prejuízos com a nossa dívida pública, e a dos americanos? Para quem vão eles fabricar os Iphones e os Ipads e os Isei-lá-que-mais? Ainda se a China fosse potência imperialista, daquelas que quer pôr o John Waine ou o Jackie Chan a zelar pela ordem mundial! Mas não, em cinco mil anos de história (desculpem imprecisões, lido mal com o tempo, e o jantar, caras de bacalhau com couves da minha horta, alho, azeite, pão torrado, estava mesmo bom, e o meu vinho não é água), em cinco mil anos de história,  escrevia, mais ano menos ano, nunca o Império do Meio se interessou pelos bárbaros brancos ou os procurou civilizar, pelo que não estarão agora interessados em nos governar, menos ainda em nos aturar. E se a China não crescer os seus não-sei-quantos-por cento ao ano como dará esperança aos milhões (mais um, menos um) de jovens desempregados da sua geração parva? E com o preço do petróleo a disparar para valores inimagináveis, como vai sustentar o crescimento? Bom, já se viu que nada percebo de economia nem de finanças, mas aposto que os chineses encaram a situação mundial e, em especial, a portuguesa, com um tera-giga-mega-hiper-super soliso amalelo.
Imagem: extraída de Bubishi, R. Habersetzer
(Comment allez-vous, sensei? Ça fai déjà dix ans qu'on s'est rencontrés à Strasbourg, le temps passe trop vite, on le sait.)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sinal dos tempos

Até as andorinhas andam exaltadas, não sei se da crise, se da desgovernação, se do futebol. Ou se de tudo isto.
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Paradoxos

Deste país e deste povo: tantos "aos carimbos" (vai-se às empresas que se sabe não necessitarem de funcionários e pede-se que carimbem papel comprovativo de que não têm emprego para o candidato, que assim comprova no Centro de Emprego que está a procurar trabalho) e anúncios como este, hoje. Café Ice Cream, Entroncamento.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

La solitude

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'une autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous.
J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.
Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...

la solitude...

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis. Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas, dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de vous transmettre, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...

la solitude...

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

la solitude...

Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus " les mots" mais une sorte de conduit à travers lequel les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

la solitude...

Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.

Léo Ferré

Profecias

Antes de mais, e para que não haja equívocos, a minha solidariedade para com os árabes que lutam  contra a tirania e morrem nas ruas -- hoje, só numa cidade líbia, terão sido assassinados mais de 200.
Leva avante, e não temer...
Pela santa liberdade,
Triunfar ou padecer...
(1)
Por todo o lado, os povos do terceiro mundo, há demasiado tempo oprimidos, privados de esperança e, sobretudo, dos seus recursos naturais, vão levantar-se uns após outros. Más notícias para nós, na velha Europa, há séculos a viver melhor ou pior, quase sempre acima das nossa possibilidades -- à custa de quem? Más notícias para o nosso governo que ainda tem a esperança de escapar ao "auxílio" da União Europeia e do FMI, péssimas para todos aqueles que protestam contra os combustíveis caros, contra o desemprego, contra a carestia da vida: o  petróleo vai subir até valores impensáveis,  os preços de todos os bens, alimentos incluídos, vão disparar, e nem as energias renováveis ou as barragens nos vão valer. Se tivéssemos energia nuclear seria menos mau, mas foi mais divertido alinhar em campanhas "nuclear? Não, obrigado."
Também o já periclitante desequilíbrio de forças, que tem permitido a Israel fazer o que bem entende, tem os seus dias contados: os novos regimes não serão tão simpáticos, tão compreensivos, tão tolerantes como o foram os dos déspotas apeados ou  a apear, quanto mais não seja porque os seus povos não o permitirão, e com um Irão nuclear a política dos falcões judeus de extrema-direita terá de dar lugar a opções mais dialogantes, mais pacifistas. Goste-se ou não, é o que vai acontecer.
E nós, portugueses? Bom, para que não subsista a dúvida de saber quem se vai lixar, recorde-se  o anexim do mar e do mexilhão. Depois, há muita terra inculta. Para férias, em vez da República Dominicana, talvez uma praia portuguesa, pese embora o desconforto daqueles a quem revolta ouvir labreguices ao nosso povo (noutras línguas não lhes parecem tão mal). Haverá emprego para gente qualificada, i. e., que saiba e queira fazer alguma coisa de útil. A parcimónia impor-se-á, queiramos ou não. A mudança de rumo também, embora receie que só após violentas convulsões sociais.
(1) Versão  constante de A Brasileira de Prazins, Camilo Castelo Branco.

O problema nacional

Consiste a ironia em afirma algo querendo significar o contrário. Um exemplo bem actual é o post de Rentes de Carvalho "Em defesa do Dr. Armando Vara":
"Tivesse este país muitos homens como o Dr. Armando Vara não estaríamos como estamos."
Ou, lendo ao contrário, pobre país que tem, e sempre teve, tantos doutores da mula ruça, os quais logram convencer a plebe de que com a nossa (leia-se: deles) ancestral chico-esperteza conseguimos enganar o mundo inteiro e arredores e dar sempre a volta por cima. E quando as coisas começam a correr mal, a culpa é  dos outros, às armas, nobre povo, nação valente, imortal, mesmo que nos lixem nas taxas de juro, na economia, ah, havemos de os bater no futebol nem que tenhamos de naturalizar  à pressa os jogadores brasileiros, africanos, sul americanos, não importa -- a não ser que nos roubem as arbitragens.
Porque as qualidades que engrandecem outras nações, desprovidas da nossa esperteza, o honesto estudo com muita experiência misturado, são perda de tempo, são burrices desses povos que ainda se não converteram às novas oportunidades com muitos magalhães e quadros electrónicos misturadas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Tai Chi Chuan e eu

Estrasburgo, 2000. Treino de Tai Chi
Maravilhou-me a elegância  do Tai Chi, logo da primeira vez vi executar, há uns bons 20 e tantos anos. Eu praticava um karaté de baixíssimo nível técnico, que privilegiava a força e a brutidade, apesar dos avisos em contrário que já então o sensei Vilaça Pinto fazia ouvir -- e nós, se escutávamos os seus conselhos (que remédio, era o mestre a falar), ignorávamo-los na prática, como se a nossa máxima fosse "quanto mais bruto melhor". 
O Tai Chi foi-nos apresentado como o remédio miraculoso que evitaria a doença, afastaria a velhice, adiaria a morte. Por isso o treinei afincadamente, o que seguramente me não fez mal nenhum. Mas, acredito-o hoje, muito me beneficiou ter continuado a  praticar em simultâneo o karaté, apesar do inconveniente óbvio de ter limitado os meus progressos tanto na suave arte chinesa como no mais rude e aparentemente mais tosco karaté. Vários dos companheiros de então foram levados pela doença e pela morte, apesar de treinarem  afincadamente o Tai Chi. Alguns sofreram graves enfermidades. Outros exibiam barrigas bem prósperas, que faziam rir os velhos karatekas. E num seminário com Yang Jwing- Ming, o mestre contou-nos que sofria do coração, problema congénito e familiar. Que, ao sabê-lo, protestou junto do médico: -- Mas eu faço 12 horas diárias de Tai Chi! E o médico: -- Pois, o Tai Chi é óptimo para combater o stress e baixar a tensão arterial. Mas para combater o colesterol precisa de fazer exercício violento.
Aproximava-me dos cinquenta. A escola em que treinava tinha abandonado o karaté em favor do Tai Chi. Entendi chegada a hora de agradecer tudo o que tinham feito por mim e mudar de rumo. E voltei a dedicar-me exclusivamente ao karaté. 
Aproximo-me dos sessenta. Muitos dos karatekas do meu tempo abandonaram a prática, uns por desinteresse, outros por razões de saúde, que os anos não perdoam. Enquanto puder, continuarei. Quando não treino durmo pior, sinto as pernas presas, surgem dores aqui e ali. E o Tai Chi? Primeiro pensava: quando não puder treinar karaté, volto-me então novamente para ele. Hoje duvido. Afinal, um passeio enérgico, uma kata executada de acordo com as nossas capacidades físicas trarão seguramente mais benefícios. Perdi há muito a fé na magia do Tai Chi, seja ele Yang ou Chen.

Hurt, Johnny Cash

Recomendada pelo Jeroen, meu sobrinho, talvez o mais português dos holandeses:
Olá zé,
se gostas "os velhos" talvez também gostas este canção: johny cash - hurt
http://www.youtube.com/watch?v=o22eIJDtKho

Jeroen.
Muito obrigado.

Esclarecimentos

O post anterior, “Geração à rasca: discordâncias” suscitou comentários discordantes, o que muito me agrada porque (i) confirma que o blogue tem leitores atentos e (ii) que esses leitores têm sentido crítico e não hesitam em o exercer. Mas receio não ter sido bem interpretado.
Ora mal vão as coisas quando um texto precisa de outro a esclarecer o seu significado: ou não estava bem escrito, ou não foi bem compreendido. Se não foi bem escrito – e nem a pressa pode servir de atenuante – deveria tê-lo sido; se não foi devidamente entendido, ou os leitores o não leram com a devida atenção, ou se concentraram em aspectos porventura menos relevantes, incomodados, talvez pela referência final aos Deolinda. Como só a primeira hipótese, a da deficiente redacção, é da minha responsabilidade, retomo as ideias do post:
  • Desagrada-me que se atribua aos privilégios da minha geração a responsabilidade pela situação da chamada geração “à rasca”, e apresento argumentos de natureza pessoal.
  • Discordo do recente lugar-comum segundo o qual essa geração é a mais qualificada ou a mais habilitada de sempre.
  • É uma desonestidade intelectual proceder a generalizações sobre o desemprego entre os licenciados como se as respectivas licenciaturas fossem iguais na duração, na natureza, no conhecimento obtido, na procura por parte dos empregadores.
  • Admito que a frase final choque e seja até vista como provocatória pelos fãs dos Deolinda. Questão de gosto – ou da minha falta dele.

Geração à rasca: discordâncias

Relativamente a algumas das ideias deste post e a outras correlativas que por aí circulam. 
1. Desagrada-me a conversa de que a geração "à rasca" se encontre em tal situação, não por a casa-de-banho dos pais estar ocupada com tantos moradores lá no apartamento, quando  alguns há muito deveriam ter batido a asa, mas por causa dos privilégios da geração anterior -- a minha. Que diabo, vivi o salazarismo (se querem saber como era, leiam Entre Cós e Alpedriz, que podem descarregar gratuitamente aqui), a crise energética associada ao marcelismo, a agitação e a instabilidade do 25 de Abril ao 25 de Novembro, sempre com a espada de Dâmocles da guerra colonial suspensa sobre a minha cabeça, passei privações que hoje levariam a pedidos de ajuda às organizações humanitárias, fiz a trabalhar e paguei do meu bolso a minha licenciatura, sofri o FMI, fiz um mestrado a sério (dissertação disponível aqui), a trabalhar e às minhas expensas, progredi na carreira passo a passo, vejo a reforma possível cortada cerce, em risco até, pois o dinheiro dos meus descontos é gasto em subsídios a quem nunca, ou pouco, trabalhou -- e somos nós, eu e os outros como eu, que pagámos os estudos dos nossos filhos, que os apoiámos quando necessário, como apoiamos hoje os nossos pais, os culpados? Que diabo, tenho 37 anos de descontos, fui servente de pedreiro, operário de plásticos, tropa à força, professor sem habilitação, com habilitação, estagiário, efectivo, agora já nem sei o quê... Ricardo Vicente, tenha dó!
2. Não é verdade que a geração "à rasca" seja, como se repete na televisão, a mais qualificada de sempre. Nem sequer a mais habilitada, o que é coisa muito diferente. Têm diplomas em barda graças a Bolonha, reconheço. O que não reconheço é valor a licenciaturas de de 2 ou 3 anos, mestrados de um, sem tese. Muitos, da faculdade conhecerão pouco mais do que as praxes e as semanas académicas. Muitos nem escrever sabem (coitados, são disléxicos). Muitos fizeram cursos da treta, sabendo que para nada serviriam.
3. Há anos, dizia então o bastonário da ordem dos advogados que a ordem recebia 700 novos pedidos de inscrição por mês, o que era incomportável num país com a dimensão do nosso. Acrescentem-se os licenciados em comunicação social, em letras, em cursos que não lembrariam ao diabo -- e venha alguém cantar que precisa de estudar para ser escrava, ou parva, como se auto-caracteriza.
4. Ontem, na SIC, o presidente do Técnico (creio que é esse o título) apontava uma taxa de empregabilidade de, salvo erro de memória, 98% nos primeiros 6 meses após conclusão da licenciatura. Se mais engenheiros formasse, mais empregaria. E punha a par exigência na formação com empregabilidade.
5. Há muitos anos que insisto com os meus alunos: precisam de se aplicar  a Português (a minha disciplina), Matemática, Física, Inglês. Resposta: não gostam, como se estudo tivesse de ser, pelo menos no seu início, fonte de prazer. E optam por Sociologia, Geografia, Espanhol, etc., disciplinas de interesse, sem dúvida, mas que lhes não permitem a entrada no Técnico, nem em nenhum outro curso de empregabilidade elevada. Com  pessimismo ancestral, respondem-me que todos os cursos servem para o desemprego. Vivam os Deolinda, música a condizer com a letra. Uma merda. O rei vai nu e é preciso dizê-lo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os velhos

Old folks, John Denver. Adaptação de Les Vieux, de Brel. Álbum Whose garden was this.

Os velhos

Les vieux, de Jacques Brel

Leitura do dia

Diário irregular, de Sérgio de Almeida Correia. No Delito de Opinião. E, também no DO, para mim o melhor blogue português, outro excelente post, que registo com atraso:  O estado agiota, por Pedro Correia.

Relativismo moral

Suponhamos que me proponho descrever o ataque e a tomada de um navio de passageiros ou de um avião. Por exemplo, o Achille Lauro, ocupado  por um comando palestiniano em 1985. Se adoptar o ponto de vista dos atacantes, falarei de revolucionários heróicos que lutam por uma causa que consideram justa. Se, pelo contrário, abraçar o ponto de vista oposto, falarei em pirataria cruel, que não hesita em assassinar e deitar borda fora um passageiro paraplégico. Aparentemente, ambos os pontos de vista são defensáveis, talvez até legítimos. Mas acontece que eu recuso o relativismo moral, embora não seja ingénuo ao ponto de condenar em absoluto o Mal, que tem o seu papel como força motriz da história: sem a maldade, viveríamos ainda felizes e inconscientes no Jardim do Éden e conversaríamos amenamente com o Senhor quando, ao fim da tarde, fizesse o seu passeio refrescante...
Preciso, portanto, de dar conta dos vários pontos de vista, das suas hipocrisias, incoerências, inconsequências e consequências. De mostrar que em nome da Razão e do Bem se cometem atrocidades. De alertar para os perigos das boas intenções (lá diz o povo, delas está o Inferno cheio) e, sobretudo, de não transformar terroristas em cavalheiros cultos, aventureiros, empenhados no progresso social.
Assim, regicídio, ditadura salazarista, nazismo, comunismo, assaltos a embarcações turísticas e a aviões civis, etc. (a lista seria infindável) surgirão como acontecimentos historicamente datados, contextualizados, mas não como actos dignos de admiração e de imitação.Tarefa difícil? Talvez, que será tentador tomar por bons os testemunhos dos intervenientes, sempre interessados em branquear as suas acções perante as gerações vindouras, os quais aparentam sobremaneira ser credíveis se simpáticos, cultos, com modos cavalheirescos e, a cereja em cima do bolo, quando falam fluentemente Francês.
E, porque se pode aprender muito com os mestres, nada como ler Camilo Castelo Branco, que tão bem resolve este tipo de narrações paradoxais. Por exemplo, Onde está a felicidade ou A Brasileira de Prazins.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Arrogância intelectual

Aprecio muito um trabalho bem escrito, fundamentado em investigação rigorosa. Mas não tenho paciência para com aqueles que, tendo trabalhado, tendo investigado, não aceitam críticas.  Essa atitude releva da arrogância intelectual e, infelizmente, é mal nacional, sobretudo na blogosfera.

Objecções de consciência

Já fui um número. Não gostei. Recuso voltar a sê-lo, até porque não vejo qualquer razão justificativa. Façam o favor de me tratar pelo nome: Zé para os amigos, Cipriano, nome artístico na profissão, José Catarino, aqui, na Net, até descobrir, graças aos avisos do Google, que é nome comum a muita gente pouco recomendável -- e, para evitar confusões, passei a assinar por inteiro, José Cipriano Catarino.
Um nome, e não um número, confunde os serviços administrativos, que parecem incapazes de fazer uma ordenação alfabética, mesmo com os computadores? Paciência.
Eis uma objecção de consciência, entre muitas que tenho, irrelevante para os outros, importante para mim, soldado instruendo 1093975. Há 36 anos, exactamente. No RI 7, em Leiria, incorporado à força aos 20 anos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Golegã

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Cós

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Brogueira

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Moitas Venda

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sobre a familiaridade

Um post de Rentes de Carvalho a explicar aos tolos que uma coisa é a igualdade de direitos e outra, bem diferente, "a familiaridade  tosca dos simplórios". Termina dizendo o óbvio aos néscios que desconhecem viver numa sociedade hierarquizada, talvez por não terem sido ainda confrontados com emprego e vida:
Oiça: você que nunca me viu, não conhece de parte nenhuma, se se quer dirigir a mim e ter resposta, faça-o com boas maneiras. Talvez não saiba, mas digo-lho eu: na vida real não há Facebook.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gostei

Deste post de João Gonçalves, a dizer mal da minha patroa. Mas, mais uma vez, entendo que os comentários dos seus seguidores não estão à altura da grandeza que, por vezes, João Gonçalves revela. Ou então sou eu que só às vezes lhe dou o devido valor. De qualquer forma, um autor e um blogue que leio diariamente, quanto mais não seja para discordar. Ainda bem que há gente assim, com quem raramente concordamos, mas que lemos e admiramos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mudança da hora

Nunca consegui perceber as vantagens de mudar a hora: o que se ganha de manhã perde-se à noite, ou vice-versa, como na velha história da compra das calças e da camisa. Deve ser problema meu, porque, como em todas as restantes matérias, oiço sempre um coro aprovativo em relação a cada medida imbecil que os governos tomam, e um superior desprezo por este ignorante que preferiria que ficassem quietos. Pois é com alegria que constato não ser o único a quem a mudança de hora incomoda e irrita: o presidente russo decidiu abolir a hora de inverno porque
“Estamos habituados a mudar os ponteiros do relógio na Primavera e de novo no Outono, mas esse hábito interrompe o biorritmo das pessoas”, disse à agência russa ITAR-Tass. “As pessoas ficam irritadas, ou dormem demais ou acordam demasiado cedo. Isto para não falar das pobres vacas e de outros animais domésticos que nada sabem sobre a mudança da hora e não compreendem por que é que tratam deles a uma hora diferente”.
Absolutamente de acordo. Deixemos a hora em paz, até porque a mudança deixa o meu galo sem saber a que horas é que há-de cantar a meia-noite.

Tigres de papel

No meio de tanta má notícia, já insensibilizado para tanta desgraça quotidiana, cansado do Egipto, do presidente da república e do governo, eis uma que me dá ânimo e reforça a minha pouca fé na espécie humana, a qual, cada vez mais acobardada, vive com medo de tudo e, sobretudo, por medo de morrer: uma septuagenária inglesa atacou e pôs em fuga seis ladrões que assaltavam à marretada uma ourivesaria, enquanto os funcionários e os transeuntes assistiam aterrados ao golpe. 
Não há muito tempo, também no Algarve um casal de idosos resistiu e afugentou ladrões que lhes tinham entrado na residência. Também neste caso, a receita foi simples: a senhora carregou à cabeçada sobre um dos gatunos, o marido atirou-se ao outro -- e os assaltantes fugiram. 
Dois grandes males afectam a nossa sociedade: encolher-se e recear as consequências posteriores, sabido que as leis são feitas por deputados, os quais são maioritariamente advogados --- já viram onde quero chegar, não? E há também os jornalistas, que deveriam aprender de que lado estão: se do lado da sociedade que lhes compra os jornais, lhes educa os filhos, lhes dá a segurança social e a saúde, ou dos marginais. Mas como o não sabem, talvez por ingenuamente acreditarem que a informação é neutra, apesar de a distorcerem em busca do sensacionalismo, não me surpreenderia que se ouvissem já protestos televisivos contra a acção selvática da velhota, a agredir uns rapazinhos que, imitando Robin dos Bosques ou o nosso Zé do Telhado, faziam pela vida, roubando aos ricos para dar a uns pobres --- eles próprios, ou os seus fornecedores de droga.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A nova Lisístrata

Uma senadora belga propõe abstinência sexual para obrigar os políticos a entenderem-se. Talvez resulte, se a greve for por tempo indeterminado e levada às últimas consequências. Mas há que atribuir os créditos da ideia a Aristófanes, que nas sua Lisístrata propôs o mesmo há 2400 anos:
LISÍSTRATA: Não pomos a vista em cima dum homem desde que os Milésios nos traíram. Nunca mais vi a ponta duma gaita, nem verdadeira nem falsa, nada que me possa consolar. Estareis todas dispostas a ajudar-me, se eu descobrir maneira de pôr fim a esta guerra?
MÍRRINA: Se queremos! Eu até punha este vestido no prego e gastava o dinheiro todo em vinho.
(...)
LISÍSTRATA: Sereis capaz de renunciar?
CLEONICE: Daremos as nossas próprias vidas!
LISÍSTRATA: A coisa a que vamos renunciar é à piça. Virais-mas costas? Para onde quereis ir? Que caretas são essas? Abanais a cabeça? Não vos agrada a minha proposta? Apresentai outra.
MÍRRINA: Nem por sombras. Deixa que a guerra continue.
LISÍSTRATA: Mudaste assim de parecer? Ainda há pouco estavas disposta a cortar-te em duas postas como um peixe.
CLEONICE: Farei qualquer outra coisa que proponhas, menos isso. Se quiseres, caminharei sobre brasas; é preferível isso a fazer o que exiges de nós. Renunciar à piça é que nunca, Lisístrata!
NOTA: em Portugal, não vale a pena as mulheres pensarem em renunciar à dita cuja para forçar mudanças políticas: é que os nossos políticos não parecem  interessar-se pela coisa, pública ou privada. Não nos governa nenhum Mitterrand, nenhum Clinton, nem sequer  um Berlusconi...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Repetição e monotonia

Rentes de Carvalho, escritor emérito e bloguista praticante, reflecte sobre os efeitos nefastos da repetição na vida:
No casamento, como no trabalho, no sexo e na alimentação, na arte, nas conversas, nas andanças da amizade, do amor, nas milhentas outras que fazem a vida, a repetição é inimigo nr. 1. Engendra monotonia, é o princípio do fim.
Tendo em conta que lhe não falta o honesto estudo com muita experiência misturado, sinto-me algo intimidado em o tentar contraditar, um pouco como o miúdo da aldeia, que cá por dentro nunca deixei de ser, face aos homens da terra. E as suas afirmações parecem decorrer do senso comum. Mas quero crer que desta vez se equivocou: a repetição só engendrará monotonia se executada acefalamente, corpo para um lado, cabeça para outro. Se nos aplicarmos criticamente em cada repetição, procurando o aperfeiçoamento, não haverá monotonia, antes o desafio da auto-superação. Por isso, os atletas de nível elevado treinam repetitiva e incansavelmente -- lembremo-nos do grande Eusébio que, no final dos treinos, ficava sozinho no campo a rematar incansavelmente à baliza. Lembremo-nos da poesia, que não vive sem a repetição. Lembremo-nos do velho "bis repetita placent". Lembremo-nos, sobretudo, de que o nosso fim só começa quando o coração deixa de repetir os seus batimentos...

FOTO: numa das incontáveis repetições da minha tokui-gata, Jion, Novembro de 2010.