Número total de visualizações de página

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Na rádio

Entrevista à rádio "Vida", no seguimento da atribuição do Prémio Irene Lisboa (conto).
Amanhã, sexta-feira, às 17H00;  repetida na segunda-feira, às 12H00.
Pode ser ouvida AQUI.
Foto: recepção do Prémio Irene Lisboa.
(Deixem-me justificar a minha fraca eloquência, negrito meu:

"-- Você sabe falar -- comentou.
-- Nasceu comigo.
-- Daria um péssimo escritor -- prosseguiu. -- Nunca conheci um escritor que fosse um bom orador. "
Ray Bradbury, "Rumo a Quilimanjaro", in As Vozes de Marte, colecção Argonauta, Ed. Livros do Brasil, Lisboa)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Relatório da OCDE

Exasperado com tanta recomendação, o automobilista encosta bruscamente à berma, leva as mãos à cabeça e ousa perguntar à mulher: 
-- Afinal quem é que vai a guiar? Tu ou a tua mãe?
Assim estou eu: afinal quem é que vai a guiar este país (para o abismo, presumo) sob o olhar conformado do "governo"? A OCDE e o seu secretário abelhudo, o Banco Central Europeu, a UE, a senhora Merkel...?
E o homem do leme, que as más línguas insinuavam nunca ter dúvidas e raramente se enganar, está agora seguro do rumo a seguir nesta navegação à vista? Não terá sido no seu tempo que se apregoava haver gente a mais no campo, sendo urgente esvaziá-lo para termos percentagem de agricultores semelhante à dos membros da CEE? Que os campos, por força disto e das PACs, ficaram ao abandono, enquanto um ministro da Agricultura confessava impunemente que achava bem 10% dos agricultores receberem 90% dos fundos, porque era um daqueles que os recebiam? Não foi ele, que no seu estilo sibilino, protestou timidamente contra o esbanjamento dos fundos comunitários em "despesas sumptuárias"? Não foi no consulado  daquele que agora vê no mar uma saída para a crise (cá para mim, é onde os credores nos afundarão) que se abateu a frota pesqueira? (Et caetera, et caetera, correndo embora o risco, por falhas de memória, de confundir os trastes da caterva.)
Agora, após tantos desmandos desculpabilizados, consentidos, legitimados, porque a lei os não criminalizava (e quem faz as leis, quem é?), ficamos a saber que o "governo soberano da república" (tanta treta num único lugar-comum!) tem a liberdade de decidir se me baixa o salário ou me cobra mais impostos -- embora eu receie que, na dúvida, faça as duas coisas.
(Declaração de interesses: não me pronuncio ainda sobre as oposições, tantas vezes representadas por engraçadinhos e espirituosas, a fazer uns números de humor para as televisões.)
ADENDA: devo ser bruxo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Prémio Literário Irene Lisboa

O júri da IIIª edição do Prémio Literário Irene Lisboa, promovido e organizado pelo Município de Arruda dos Vinhos e pela Biblioteca Irene Lisboa, entendeu distinguir, por unanimidade e entre cerca de duzentos trabalhos a concurso, o meu conto Crime na Capital. Orgulhoso da distinção, quero expressar a minha simpatia e a minha solidariedade a todos os concorrentes, e o desejo sincero de que não esmoreçam, antes persistam, nesta labuta insana da escrita, em que alguns, desconhecedores talvez das agruras do ofício, vêem prazer, como se prazer pudesse existir em tanto tempo de vida gasto em correcções sucessivas, na procura da toada e do ritmo adequados, na busca da palavra exacta...
Muito me honra e alegra receber este prémio, com patrona da envergadura intelectual e artística de Irene Lisboa, mulher distinta, professora emérita, poetiza e prosadora notável. Confesso que o prémio recebido compensou, de alguma forma, os momentos de dúvida, de desânimo, que rejeições de editores, desinteresse de críticos, por vezes provocam – embora reconheça que essas contrariedades reforçam a determinação e aumentam a vontade de continuar em frente, neste trabalho de Sísifo, que se não escolhe, antes nos surge imposto, poucas vezes obtém reconhecimento e, menos ainda, glória.
Crime na Capital inspirou-se em factos reais, um dos quais, o despedimento do engenheiro Eleutério, pareceu por demais inverosímil às minhas primeiras leitoras, a quem sempre dou a ler os originais antes de os considerar terminados. De facto, a realidade é frequentemente mais incrível do que a ficção, nomeadamente a triste realidade dos despedimentos, que atingem números jamais alcançados no nosso país, e assumem formas até há pouco inimagináveis, como por mensagens SMS. Também a história do mestre de karaté que faz peritagens de seguros e é alvejado durante um encontro amoroso ocorreu, infelizmente. Poderia, portanto, citar Camilo Castelo Branco (Vingança) “Não tenho imaginação, tenho memória”, se não tivesse recorrido abundantemente à imaginação para articular os eventos, concentrando numa única narrativa histórias diferentes, ocorridas com pessoas diferentes, em diferentes espaços e tempos. E, acrescento,  a escrita deste conto surpreendeu-me, ao ver a história derivar  por caminhos imprevistos, qual montada que toma o freio nos dentes...
Agora que Crime na Capital me não pertence mais, filho emancipado que já não precisa de mim para singrar na vida, desejo-lhe ardentemente muitas leituras e agradeço-lhe o ter-me proporcionado este prémio, tal como agradeço ao Município de Arruda dos Vinhos e ao júri a sua atribuição.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Não percam

Isto, que encontrei no Delito de Opinião, um dos meus blogues favoritos. Genial. Se der para trocar a ministra original pela imitação, é para já. O miúdo, para além de manifestar talento para a representação, imita excepcionalmente bem a figura ridícula --- na conversa, nos trejeitos, nos tiques, nos sorrisos para as câmaras --- que a ministra faz de cada vez que aparece. Pior, não ficamos. Venha de lá a genialidade, sem atender à idade. Aposto que se ele continuar a série Uma Aventura, o nível vai subir. E bem precisa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Ausências

De vez em quando este blogue pára por uns dias. Não é que a preguiça me ataque com maior intensidade; é que outros afazeres me solicitam, por vezes em simultâneo, e chego à noite tão exausto que nem o mail leio. E então não respondo aos comentários. Não é má educação. É cansaço. 
Foi o que sucedeu neste fim-de-semana, com a vindima.

É o que sucederá no próximo, com correrias para receber o prémio Irene Lisboa, ir aos Montes fazer o vinho, regressar ao Entroncamento para jantar com colegas recém-aposentadas, voltar aos Montes para fazer a água-pé, limpar a adega, lavar e arrumar prensa, tinas, selhas, almudes, canecos, escudelas, funis... E, caso não chova significativamente, regar as couves.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pastoreando a perua

O Miguel, a arreliar a bicharada da capoeira.

Dois dentes

E muita simpatia. (Nisso não sai cá ao avô),
(Clicar na foto para ampliar)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Orgulho

   Exm.º Senhor


   Na sequência da sua participação no III Prémio Literário Irene Lisboa, temos o prazer de anunciar que lhe foi atribuído o Prémio Literário Irene Lisboa - conto "Crime na Capital".
   A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no próximo dia 23 de Setembro de 2010, pelas 21 horas, no Auditório Municipal de Arruda dos Vinhos.
   Para proceder ao levantamento do seu prémio terá de se fazer acompanhar pelo NIF e Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão.


   Sem outro assunto, enviamos os nossos melhores cumprimentos.

... e a ministra da educação

"E turmas mais pequenas?
O nosso país é, nos da OCDE, dos que têm menos alunos por turma e um professor para cada sete alunos.
Reduzir o número de alunos por turma não é uma prioridade?
Não é e não vamos fazê-lo, porque o que temos neste momento é bastante equilibrado."
(Entrevista aqui)
Senhora ministra, olhe que não, olhe que não! O meu 10º C tem 27 alunos, tantos quantos o meu 12º B. E hão-de chegar mais. Presumo -- é só presunção minha -- que terá chegado a esse número dividindo os alunos pelos professores. Mas não se esqueça dos "professores" que tem no ministério, nas direcções regionais, nos sindicatos, dos destacados, dos directores de centro de formação, dos bibliotecários, de tantos outros que são professores sem alunos...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Prémio Literário Irene Lisboa

Amigos, alegrem-se comigo: ganhei, na modalidade conto, conforme informação telefónica recebida há momentos.

sábado, 11 de setembro de 2010

Boas perspectivas

 

Álcool provável, a uma semana da vindima.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Desfaçatez

É o que me ocorre ao ler isto:
Sócrates diz que escola pública é factor decisivo para a igualdade de oportunidades (Sol/Lusa)

O primeiro-ministro fez hoje uma defesa veemente do investimento na escola pública como factor decisivo para a igualdade de oportunidades, num discurso em que referiu os valores constitucionais e o ideal republicano de educação para todos.
Então o governante que mais contribuiu para que os pais tirassem os filhos da escola pública  julga que a defende  injectando uns milhões nossos em  bens e obras que, nalguns casos, são puro desperdício? Mas, afinal, dele já nada me surpreende, depois que o ouvi defender o sistema nacional de saúde, esquecendo as maternidades, urgências e hospitais encerrados. Ou as escolas encerradas. Ou as promessas de criação de milhares de empregos. Ou o fim da crise (já não me recordo se foi ele se um seu ministro -- afinal, é tudo farinha do mesmo saco). Ou... têm sido tantas as promessas que as vou esquecendo. Mas de uma coisa não me esqueço: palavras leva-os o vento e quanto a obra, se exceptuarmos umas inaugurações e uns Magalhães, que fica?

Big Brother nas escolas*

Quando, a 7 de Julho deste ano, publiquei o post "A Escola Prisão" chegaram-me aos ouvidos interpretações e deturpações de "amigos" que o aproveitaram para, mais uma vez, intrigar, vendo nele uma crítica à direcção da minha escola e não, conforme lá está escarrapachado, ao sistema de ensino em que direcção e eu temos de viver. Nunca perceberão, porque tal exige largueza de espírito, que criticava e critico situações, políticas, acontecimentos, jamais pessoas -- e que fui e sou amigo de responsáveis por factos de que discordei publicamente. Trata-se, tão só, de não confundir o cu com as calças.
Apraz-me agora verificar que algumas das preocupações então manifestadas são partilhadas aqui por uma autoridade em educação, como é Ramiro Marques.
(* Título do post do Ramiro)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Portugal, fora da União Europeia!

"Os ministros das Finanças da UE puseram-se hoje de acordo sobre a possibilidade de vetarem os orçamentos nacionais, decidindo que os seus projectos de orçamento sejam examinados ao nível europeu na Primavera, antes de serem submetidos aos parlamentos nacionais." (Público)
Por um lado, perdem razão de ser as tricas em torno da aprovação do orçamento -- afinal, quem o aprova é a UE ou lá o que é. Por outro, como patriota (e não me venham repetir que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas) só me ocorre dizer: Portugal, fora da UE! Afinal que estamos lá a fazer? A mendigar empréstimos? Até quando?
Sim, tenho alternativa: pagar o que devemos, viver com o que temos e não de calotes. Afinal, mal ou pior, sobrevivemos desde 1143, pelo menos. Eu sei: os governantes jamais aceitarão esta minha proposta. Como jamais a aceitarão todos aqueles que se conformam com a subsidiodependência. Mas não se iludam: à velocidade a que o Mundo está a mudar, não me surpreenderei se a UE nos escorraçar. Sem dignidade.

domingo, 5 de setembro de 2010

A grande cabrada

Semanas atrás foi notícia a introdução nas nossas matas de 150 mil cabras (não se fazia referência a bodes, mas acredito que os visionários do projecto saibam distinguir elas de eles). As cabras limparão as florestas e -- garanto que o ouvi repetir -- cada uma será um bombeiro, o que me levou a pensar que não deviam ter esquecido os bodes, mais eficientes no uso da agulheta.
Sempre do contra, ocorreram-me numerosas objecções, a primeira das quais foi julgar que os mentores do projecto não percebem lá muito de cabras. Uma cabra é sempre uma cabra, filha de uma cabra, cheira como uma cabra e porta-se como uma cabra. Cada uma faz o que lhe apetece e não haverá maneira de a convencerem a comer os rebentos das silvas havendo plantas mais saborosas e tenrinhas em quintais, jardins, pomares, searas, milharais, vinhas. E tem 24 horas por dia para o fazer porque, ao contrário dos cabreiros (onde os irão desencantar?), a cabra não tem horário de trabalho. 
Mas, reconhecendo a minha incompetência na matéria, socorro-me de Mestre Trindade Coelho, sem esperança embora de que as suas palavras sirvam de alerta aos autores desta ideia caprina:

"Era no rebanho a que dava mais que fazer ao pastor, requerendo vigilâncias particulares no seu atrevimento, pois que se a deixassem livre não havia árvore a que não trepasse, oliveira especialmente, nem rebento novo que não triturasse esfomeada no seu dente acerado de roedora.
E depois, ali onde a viam, estava cara só pelas coimas, que muitas vezes iludira ela a atenção do pastor, e se ficara por hortas e quintalórios, causando estragos que os louvados depois avaliavam caro."
Trindade Coelho, "Mãe, Os Meus Amores (trazido da Grande Oferta de Livros)

E era só uma, a Ruça. Acrescentem-se 149.999, e teremos uma pálida ideia do que aí virá.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A liberdade do pintor

Este parte, aquele parte,
E todos, todos se vão
(Rosalía de Castro)
O último a partir para reforma antecipada, descontente com a infernização da vida do professor iniciada por Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos e continuada pela actual equipa ministerial é o pintor João Alfaro, autor dos desenhos da capa dos meus romances já publicados. Sai mais um representante de uma geração que entrou para o ensino no pós-25 de Abril, desiludido, amargurado, incapaz de contemporizar com as concepções vigentes de escola. E é a escola que fica a perder com a saída de veteranos como ele, professores experientes que poderiam assegurar uma transição sem sobressaltos, fazer a ponte entre o passado recente e o futuro. É a escola que fica mais pobre, mais monótona, mais chata -- o que nada aflige os nossos governantes, para quem desalinhados como o João são pedras no sapato do eduquês que urge deitar fora.
Vai dedicar-se por inteiro à pintura. Talentoso, com extraordinária capacidade de trabalho, o João pode agora realizar-se plenamente como artista e alcandorar o seu trabalho em níveis de sucesso ainda mais elevados.
Boa sorte, um abraço, e vai-nos visitando, na escola e fora dela. 

(FOTO: o João no restaurante João do Grão, após a Grande Oferta de Livros, evento em que estivemos presentes)