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sábado, 30 de agosto de 2008

Hacker destrói o meu site

Pela segunda vez em poucos meses, o meu site (www.jose-catarino.com) foi destruído pelo ataque de um pirata. Com aqui escrevi da primeira vez, não compreendo o porquê: não molesta nem ofende ninguém, não tem interesse económico… A repetição dos ataques a este site indicia direccionalidade e intencionalidade: há alguém que, por razões que desconheço, se empenha em destruir o meu trabalho. (O ranhoso assina "Latin Hack Team").


"A homem de valor jamais faltarão inimigos", escrevi em Entre Cós e Alpedriz, pelo que não me surpreenderá que em breve o site seja novamente destruído. Inútil gastar palavras a tentar descrever a pulhice de quem se dedica a estragar o trabalho alheio, valentemente protegido pelo anonimato. Segunda-feira o site estará novamente de pé.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008

Saramago, a escrita e os passeios no campo

No blogue da fundação josé saramago (assim mesmo, em minúsculas, à moda de valter hugo mãe ou, mais para trás, de e.e. cummings), há um texto de apresentação do novo romance de Saramago, assinado por Pilar, que, querendo salientar as vicissitudes que a escrita do livro conheceu, começa assim:
"Queridas amigas, queridos amigos,
Escrevê-lo não foi um passeio ao campo:(...)"
Interrogo-me: desde quando é que escrever, mesmo para um mestre como Saramago, pode ser comparado a um passeio no campo? Não terá ele vivido em cada romance anterior as falsas partidas, penetrado em becos sem saída, sentido a dúvida angustiante (serei capaz outra vez?), não terá precisado de vencer quotidianamente a certeza derrotista e paralisante (já não sou capaz, isto não vai prestar, não se compara ao que já escrevi...), não se terá atormentado, palavra a palavra, frase a frase, parágrafo a parágrafo com a dificuldade de "résumer le pourquoi du monde dans un comment écrire"?
Não, trata-se, certamente, apenas de uma frase infeliz, em que Pilar procurou fazer estilo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Reflexões sobre o estilo (1)


Encontro, por vezes, textos que dão conta de alguma preocupação com as ferramentas do escritor – se prefere o computador, a caneta, a velha máquina de escrever… Considero esta questão perfeitamente desinteressante: Homero não utilizou nenhuma delas, como as não utilizaram Fernão Lopes, Camões, Camilo ou Eça. Só há uma ferramenta que conta: a mente do criador, e só há um resultado que conta: a obra final produzida. Tudo o resto, dos meios de produção ao que o autor sentiu ou pensou, se escreveu na cama ou no comboio, são pormenores irrelevantes e distractivos.

Já a reflexão sobre o estilo me parece muito mais produtiva, talvez por ser uma das minhas obsessões. Importa esclarecer: não sou (nem aspiro vir a ser) crítico literário; o estilo interessa-me como elemento fulcral da obra, uma vez que condiciona a voz do narrador e todo o discurso (o modo como a história é contada). Ora em alguma da literatura portuguesa contemporânea predomina um estilo oralizante, avesso a convenções ortográficas e a convenções da narrativa (e.g., suprimir os elementos que permitem identificar o discurso directo) que, pesem embora eventuais vantagens – polifonia, envolvimento do leitor na construção da narrativa, ritmo rápido pela inexistência de "travões" como seriam as maiúsculas, etc., resulta obscuro, chato, não raro ilegível (terá algo a ver com a história do rei que ia nu?) e eu, leitor que procura o prazer do texto, rapidamente me enfado e ponho o livro de lado, sem me deixar impressionar pelo nome ou pelo currículo do autor.

Pode objectar-se que os tempos mudaram, já ninguém escreve com a limpidez de Camilo, o rigor de Eça. Mas, mesmo sem puxar pela cabeça, saltam logo contra-exemplos: Yourcenar, Vergílio Ferreira, García Marquez, Mário de Carvalho…

Fico-me na fé do Padre Vieira. Desagradava-lhe o estilo predominante na sua época: "[u]m estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afectado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza" e defendia que "[o] estilo há-de ser muito fácil e muito natural (…) Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há-de ser o estilo da pregação; muito distinto e muito claro. E nem por isso temais que pareça o estilo baixo; as estrelas são muito distintas e muito claras, e altíssimas. O estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro que o entendam os que não sabem e tão alto que tenham muito que entender os que sabem." (in Sermão da Sexagésima)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Contos Vagabundos, Mário de Carvalho

Inclui contos excepcionais: "Carolina, Fernando e eu", "Do conserto do mundo", "Deus" e “Andando”, o conto que mais me agradou, o mais estranho de todos -- um prodígio misterioso.

A ler por quem aprecia boas histórias, muito, muito bem contadas. A reler por quem, como eu, vê neste autor um mestre.

domingo, 10 de agosto de 2008

Guerra entre a Geórgia e a Rússia (2)

Na guerra entre a Geórgia e a Rússia, impressionou-me o bom senso dos entrevistados nas zonas de conflito: apesar da devastação generalizada e do sofrimento pessoal, não sucumbiram ainda ao ódio, sublinhando que, como têm de viver juntos, há que fazer rapidamente a paz. Sobre as razões de ambas as partes, que animam os discursos dos políticos (os quais são certamente os principais responsáveis pelas hostilidades), vem a propósito e reproduzo de memória uma história de sabedoria oriental contada pelo mestre Henry Plée:

Um mestre foi instado para presidir a um julgamento. Ouviu atentamente a vítima e concluiu: — Tens toda a razão.

Veio o réu e a cena repetiu-se: — Tens toda a razão.

Um dos membros do júri indignou-se: — Mestre, não podes dar a razão a ambos, ao réu e à vítima!

— Tens toda a razão, disse, e abandonou o tribunal.

sábado, 9 de agosto de 2008

Guerra entre a Geórgia e a Rússia

Se eu fosse comentador, daqueles que têm sempre opinião sábia sobre tudo o que se passa, indignar-me-ia com a indiferença noticiosa face à guerra entre a Geórgia e a Rússia; é de guerra que se trata, sem eufemismos, que já há milhares de feridos e de mortos. O equilíbrio mundial está em causa, o sangue corre, cadáveres amontoam-se nas ruínas, mas as televisões, todas, dão destaque à chegada de mais um espanhol para o Benfica ou anestesiam-nos com intermináveis tretas da "história" dos Jogos Olímpicos, prognósticos e profecias. E os jornais mal se deram ainda conta do conflito. (Será por estas e por outras que os leitores escasseiam? Será que começamos a ficar fartos de ser tratados como Maria-vai-com-as-outras?)

Dentro de meia hora, Bush em pessoa dirige-se aos americanos, pronunciando-se sobre o conflito. Talvez, então, os media acordem.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Escrita: ponto da situação

Terminei até agora dois romances: Do lacrau e da sua picada (2005) e Entre Cós e Alpedriz (2007). Após várias recusas de editoras, publiquei o primeiro na Edit on Web como ebook e, já descrente das capacidades desta "editora", optei por uma edição de autor para o segundo.


Relativamente a Do lacrau e da sua picada, a Edit on Web vendeu, pasme-se!, dois exemplares! Nunca esperei enriquecer com o romance, o que até daria jeito para poder dedicar mais tempo à escrita, mas vender dois exemplares num ano inteirinho é obra!


Pelo contrário, Entre Cós e Alpedriz excedeu largamente as minhas expectativas iniciais, demasiado baixas por não ter conseguido interessar nenhuma das editoras que contactei (Caminho e Oficina do Livro), nem obter uma única crítica (mesmo que fosse a título pessoal, mesmo desfavorável) dos numerosos críticos, literários e sociais, a quem ofereci a obra. Com raríssimas excepções, nem sequer consegui que confirmassem tê-la recebido! Já os leitores e as leitoras continuam a fazer-me chegar comentários muito elogiosos, que se podem resumir num "gostei muito". (O meio editorial refere frequentemente a falta de leitores, mas não reflecte sobre o que lhes oferece para ler.)


A segunda tiragem está praticamente esgotada; restam alguns, poucos, exemplares à venda – meia dúzia na Junta de Freguesia dos Montes, outros tantos na Feira do Livro da Nazaré, e uma dúzia numa loja do Bairro Alto. É possível que me decida por uma terceira tiragem, mas só depois de Do lacrau e da sua picada sair em papel, o que acontecerá logo que tenha a capa pronta.


Entretanto, o terceiro romance (Um amor inventado, título provável, embora provisório) vai avançando, penosamente, laboriosamente. Espero terminá-lo até ao Natal, quando fará dois anos de escrita, mas, mesmo que o consiga, não será publicado nos meses seguintes. E por detrás, impaciente, perfila-se o seguinte, que procura em vão captar a minha atenção…