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sábado, 1 de julho de 2017

Cuidado com os emails!

Este mail  (ver imagem) é uma sofisticada forma de ataque informático (pishing). Aparentemente vem da Amazon e resulta de uma compra de jogos (que, obviamente, não fiz) no Facebook. 

Os piratas esperam que o visado, indignado, clique no link 

 (ver CLICK HERE) para  repor a sua verdade -- e ser, seguramente, infectado.

Desconfiado como sou, não cliquei. Mesmo tendo a certeza de que nada tinha sido comprado, fui ao site da Amazon. fiz o login e procurei por "orders". Nenhuma nos últimos 6 meses.

Não caiam nas armadilhas dos piratas! Nunca cliquem nos links! Lembrem-se sempre do Cântico Negro,  de José Régio: "Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces 

Estendendo-me os braços, e seguros 

De que seria bom que eu os ouvisse 

Quando me dizem: "vem por aqui!" 

Eu olho-os com olhos lassos, 

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) 

E cruzo os braços, 

E nunca vou por ali... "

Incêndios e roubo de armas: Verão Quente

Um governo substitui outro para fazer melhor e não para se desculpar com as asneiras do anterior.

Pergunto novamente, como perguntei logo após o morticínio de Pedrógão Grande: não há responsabilidades políticas no roubo de armas e munições em Tancos?

Ou atribuímos  as culpas no primeiro caso a um qualquer e anónimo cabo da GNR, no segundo à falha na videovigilância? 

O que me suscita outra questão: com tanto militar a coçar o cu pelas paredes, não há quem faça serviços -- sentinelas, rondas?

terça-feira, 20 de junho de 2017

O povo

Há o povo que deita foguetes em alvorada de festa, indiferente ao risco de incêndio e sem respeito pelas vítimas dessa noite.
Há o povo que com fingido pesar  faz antes de cada noite de festas da cidade hipócrita minuto de silêncio. 
Mas há também o povo que luta em desespero, com fraca ou nenhuma ajuda oficial, pelo menos nos momentos críticos, mas com uma coragem que me comove. 

Como a moça que no sábado por volta da meia noite saiu de Lisboa, onde vive, rumo à aldeia natal, para acudir  a pais e avós cercados pelos fogos. Conseguiu chegar, passando por estradas em chamas, com cadáveres ainda a arder nas bermas, num percurso inverso ao daqueles que morreram na fuga.
Lá continua, e disponibilizou o número  de telefone para ajudar a encontrar desaparecidos, conforme post da Sofia Cipriano:
"A minha amiga Teresa é de Pedrogão Grande e esta lá a ajudar no que pode. Ela pediu para avisar: Se souberem de alguém à procura de pessoas desaparecidas, digam para ligarem de imediato para o seguinte contacto: 236488060. Obrigada"

O povo é o mesmo, as pessoas é que não.

domingo, 18 de junho de 2017

Vergonha!

Ainda um destes domingos, um vizinho que muito considero me deu descompostura por ir regar, em manifesto desrespeito pelo dia santo e por aqueles que nele acreditam.
Hoje, já com as notícias da tragédia da noite amplamente divulgadas, na aldeia vizinha, Alpedriz,  anunciam a festa da terra com prolongada salva de foguetes.
O respeito que se defende abrange os dias santos, mas não os pinhais nem os mortos.
Povo estranho. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Da queda familiar para os negócios

 O meu pai já tinha vendido a fruta com melhor calibre e aspecto. Mas na adega, que outrora fora de vinho, empilhavam-se caixas com pêras e maçãs miúdas, verdoengas, algumas com pedrado.

Terá sido sugestão de companheiro de copos, dos muitos que nas férias convidava para a adega nos quentes serões da aldeia:

— Não vendes esta fruta?

— A quem? Os compradores não a querem!

— Se a levares para o mercado de Pataias desaparece tudo enquanto o Diabo esfrega um olho!

— Mesmo a miúda?

— Tudo! Lá vende-se tudo! 

Ei-lo que sobe ao primeiro andar, eufórico:

— Amanhã vamos a Pataias vender a fruta da adega.

Resmunga a minha mãe: — Só se fores tu! Eu não sou vendedeira de praça!

Ele insiste. Lá vende-se tudo num instante, barato que seja, evita estragar-se. 

Discutem. E a Ana, a pôr água na fervura: — Vamos, avó, eu vou consigo.

Com a companhia da neta, a minha mãe cede. — Mas tu, insiste para vincular o meu pai, ficas também a vender.

O meu pai diz que sim. Mas logo à chegada ao mercado, a pretexto de ver a concorrência, desandou, deixando-as sozinhas, com as caixas de fruta miserável, à espera dos compradores. Que, invariavelmente, optavam pelas bancas bem apresentadas, com abundância de produtos variados.

Demorou a voltar. Deve ter parado nas barracas de comes e bebes, uma bifana e uma cerveja ou copo de tinto, larachas com vendedeiras, cavaqueira com vagos conhecidos.

Queixa-se a Ana da má apresentação do produto, mostra-lhe as bancas de sucesso.

Ele concorda com largo sorriso — concordava sempre com a neta. 

— Mas tivemos azar com o dia. Isto hoje está fraco, os outros também se queixam do mau negócio.

Venderam dois quilos, que nem pagaram o terrado...

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ainda a omissão do artigo

Perguntei há uns dias se esta omissão,  recorrente na minha escrita, dificultava a leitura ou irritava o leitor. Na impossibilidade de o fazer individualmente, que as respostas no zfacebook foram numerosas e unânimes -- não dificulta nem irrita, ao contrário do que comentou leitor do meu blogue -- aqui vai o meu agradecimento a todos os que me quiseram ajudar. 
Entretanto, consegui encontrar a Estilista da Língua Portuguesa, de Rodrigues Lapa, obra que muito prezo e recomendo vivamente a todos os oficiais do ofício da escrita. 
A omissão do artigo definido é fenómeno muito mais antigo e generalizado do que a crítica do leitor do meu blogue me fez crer. 
Afinal, não sou original, antes continuador de longa tradição e de prestigiados mestres...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ajuda: o meu estilo de escrita

Levo as críticas muito a sério. Mais do que os elogios. porque me obrigam a reflectir e, caso lhes reconheça pertinência, a atalhar caminho.

Semanas atrás, um visitante  deste blogue fez-me o seguinte reparo:

"... não aprecio a falta dos artigos nas frases seguintes: "... seguem travesti mais produzido..." e "... assistem pacatos a revista com umas piadas...". 

É uma marca de estilo recorrente e muito visível nestes seus escritos: aparece quase sempre. Mas soa-me mal e soa-me de todas as vezes que a leio, o que a torna ruidosa. Pode ser defeito meu, mas na minha construção da leitura prefiro a concretização mesmo indefinida de um artigo a esse vago que gera de modo propositado. "

Tenho reflectido sobre esta crítica, mas não me consigo decidir. Note-se que não é a gramaticalidade das frases que está em causa, mas um pormenor estilístico, e mal do autor sem estilo próprio. Por outro lado, este pormenor estilístico pode tornar-se, como diz o meu crítico, ruidoso e desagradável.

O que acham? Agradeço todas as contribuições.

sábado, 29 de abril de 2017

Primores

Colhidas ontem, descascadas há pouco, sentados ao Sol.